Custo Temer: Brasil paga o preço do golpe e perde prestígio internacional

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Brasil paga o preço do golpe e perde prestígio internacional

Por Flávio Aguiar

A direita neoliberal brasileira costuma culpar a "era Vargas" e a "era Lula" por tudo que há de ruim no País. Mar de lama, "maior corrupção da história", "quebra da Previdência", "elevação irresponsável do salário mínimo", e muitas outras mentiras marteladas ao longo do tempo pela nossa mídia mainstream. Essa mesma mídia cuja água sempre corre debaixo das pontes do rentismo e da venda das riquezas da pátria a troco de banana, para o povo, e a custo de muita grana, para os ricos.

É verdade que há um "custo-Brasil". Vamos avaliar sua última edição: o custo-Temer. Graças a ele, o Brasil perdeu completamente o prestígio internacional acumulado… desde a era Lula? Não só: desde a diplomacia de Rio Branco, por exemplo. Temer virou um pária na cena internacional. E com ele, o Brasil. O Brasil este fora de negociações importantes, como a da nova Rota da Seda. O Brasil, na sua fase de diplomacia Rotweiller, morde-e-não-assopra, acumula derrotas na OEA, na ONU (a Venezuela foi eleita para presidir a Comissão pós-Colonialismo da ONU, contra os EUA e o Brasil), o prestígio profissional e tradicional do Itamaraty está reduzido a frangalhos.

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Temer deu vexame na Rússia e na Noruega. Vexame político e pessoal: confundir o rei de Oslo com o rei de Estocolmo, como ele fez, é imperdoável. Parece aquela piada do norte-americano que dizia que a capital do Brasil ou da Bolívia é Buenos Aires, tanto faz. Sem falar na foto do G-20, com ele isolado no canto (só faltava estar virado para a parede).

Isto é muito grave. Um presidente tem que estar à altura do país que representa. Como se não bastasse a horda de ditadores de 64, agora temos um presidente, fruto de um golpe (que culpa Deus pelo acontecido, pobre Deus!) e que humilha o país internacionalmente.

Bom, o Congresso nacional também o fez, naquelas sessões humilhantes do impeachment. Bem, a Globo e a nossa mídia mainstream também o fazem constantemente, sem se dar conta de quão nuas estão.

Mas há outros custos. Temer viria a Alemanha, para a reunião do G-20. Desistiu, intempestivamente. E agora? E o custo das viagens diplomáticas para preparar a sua vinda? As passagens, as limusines reservadas? Os hotéis? Cancela-se tudo, e fica por isso mesmo?

Se não se pagar nada disto, uma vez que foi tudo cancelado, o governo Temer tem obrigação de esclarecer.

Ou cale-se para sempre e, por favor, vá pra casa.


 

Flávio Aguiar é professor, autor, jornalista e tradutor brasileiro

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