Falar Brasileiro: Ao usurpador disenterino

Marcos Bagno
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Ao usurpador disenterino

Por Marcos Bagno

Busco palavras que digam
com precisão e detalhe
sem uma letra que falhe
os vícios que em ti se abrigam
– tudo aquilo que és de fato:
traidor, abutre, rato!


Um nome que te descreva
no que tens de baixo, vil,
de covarde, de servil,
de abominação primeva
– como quem de ossos se nutre:
rato, traidor, abutre!


Meu raso vocabulário
encontrá-lo não consegue
sem que minha língua cegue
frente ao teu estercorário
– repito o que sei de cor:
rato, abutre, traidor!


Nem disseste adeus à vida
pra teu nome entrar na História
em meio à mais baixa escória
por haver e já havida
– é ali teu posto exato,
traidor, abutre, rato!

Na laia imunda de Judas,
de Catilina e Sertório,
de Calabar e Silvério,
eis o miasma que exsudas
– teu nome é desse teor:
rato, abutre, traidor!

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És escorpião impávido
diante da tua presa,
é da tua natureza
ser predador sempre ávido
– ages por ser verdadeiro
verme, ladrão, carniceiro!

Não suportas a justiça,
abominas a verdade,
se te falam d’igualdade
teu pelo d’hiena s’eriça
– o pus te reveste a derme,
carniceiro, ladrão, verme!

O poder que não conquistas
roubas a quem de direito;
teu apelido é despeito,
teu sobrenome é golpista
– só vences na corrupção,
abutre, verme, ladrão!

Riscas do mapa a cultura,
a saúde, a moradia;
se pudesses já vendias
o mar, o céu e a natura
– homem não és nem no cheiro,
rato, abutre, carniceiro!

Alcaguete, cafetão,
conspirador, embusteiro,
sabujo, pulha, negreiro,
entreguista, vendilhão
– combates um povo inerme,
carniceiro, abutre, verme!

Reúnes tua mundiça,
corja de maus perdedores,
legião de estupradores,
cultores de ódio e sevícia
– vêm todos lamber teu chão,
abutre, verme, ladrão!
Mas ouve bem, interino,
de nós, que não te tememos
(nem aos juízes supremos
de um tribunal viperino):
– ontem, hoje, eternamente
nunca serás presidente!

Marcos Bagno é linguista, escritor e professor da UnB (www.marcosbagno.org)

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