Sem nome, muito menos sobrenome

Max Maciel
Typography

 

Sem nome, muito menos sobrenome

Por Max Maciel

Presidiária! Assim é como o sistema as identificam. Detenta é como as chamam.

Elas estão lá pelo erro de confiar nos homens, companheiros que deveriam amá-las, encorajá-las e protegê-las. Por amá-los, cometeram crimes. Às vezes o de segurar a "carga", a arma, o B.O.

Muitas aguardam julgamento trancafiadas. Estão sozinhas, sem visitas, sem carinho ou afeto. Visita íntima? Jamais. Só para os homens. Até aqui, o prazer das mulheres é negado. Estão esquecidas, isoladas!

Muitas não têm advogados ou defensores.

Leia mais:

O que nos impede de nos unir?

A pixação é o que mesmo?!

Nosso cárcere privado de todo dia

PUBLICIDADE
,
PUBLICIDADE

Suas famílias são seus filhos, mas estes estão com as avós ou em abrigos. Ao nascer, só ficam perto até os 6 meses, depois disso, só memórias em cartas ou fotos.

Para elas, parece que o sistema prisional é mais excluso pois, nem muito debate se vê ou se escuta. E se revela o quão nossa justiça é, além de cega, branca e elitista.

Ah! Se todas as nossas fossem Ancelmo… Talvez seus filhos teriam a oportunidade de não sofrer a dor da ausência da mãe, já que a figura do pai sequer existiu.

"O Estado prova, mais uma vez, como o 'direito' não é para todos. É para quem tem advogado caro e, principalmente, influência. Para acessar este direito a pobre madame deve ficar sem linhas telefônicas e sem acesso a internet em seu apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio"

 

O Estado prova, mais uma vez, como o “direito” não é para todos. É para quem tem advogado caro e, principalmente, influência. Para acessar este direito a pobre madame deve ficar sem linhas telefônicas e sem acesso a internet em seu apartamento no Leblon, Zona Sul do Rio.

Imaginem quantas mães reclusas atualmente sequer têm acesso a linhas telefônicas e internet? Provavelmente, ao acessar esse benefício, elas estariam com dificuldades de locomoção e muitas teriam que morar de favor na casa de parentes. No caso da madame, ela foi escoltada pela PF até a sua residência.

O sistema prova, no caso da ex-primeira dama do Rio, que ele funciona, muito bem, para poucas. Até porque são poucas as ex-primeiras damas atualmente presas.

 

 


 

 Max Maciel, jovem periférico nascido e criado em Ceilândia, maior periferia do Distrito Federal, é ativista social, pedagogo de formação e especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Universidade de Brasília (UnB).

Artigos Relacionados

O que nos impede de nos unir? O que nos impede de nos unir?
COLUNA Leia artigo de Max Maciel, ativista social e periférico, sobre a necessidade da união da...
A pixação é o que mesmo?! A pixação é o que mesmo?!
ARTE Max Maciel, ativista social e colunista de Caros Amigos, escreve sobre a pixação e...
Nosso cárcere privado de todo dia Nosso cárcere privado de todo dia
DIREITOS Ativista Max Maciel escreve sobre o aumento da tarifa do transporte público em 2017 (Foto...

Leia mais
×