Olhar sobre a história: derrota da ALCA e golpismo em retrospectiva

Yuri Martins Fontes
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Olhar sobre a história: derrota da ALCA e golpismo em retrospectiva

Por Yuri Martins Fontes

Na última coluna, mencionou-se como em 2005 a derrota da ALCA (iniciativa estadunidense para o controle político-econômico dos povos americanos) abalou a hegemonia geopolítica dos EUA. Continuando a retrospectiva, recordemos este caso, e alguns golpes ou tentativas deles ocorridos em nossa América desde então, para que assim se possa ter mais nítida a construção do atual projeto reacionário, em que elites bananeiras vêm promovendo a destruição rápida e por variados flancos dos mais ínfimos direitos dos trabalhadores conquistados ao longo de um século.

*Nota sobre as recentes agressões à liberdade de expressão – Antes de enveredar pelo tema, cabe desde logo destacar a gravidade do atual contexto fascista e persecutório da (ainda discreta) nova ditadura civil brasileira, em que liberdades mínimas estão sendo subtraídas: é lamentável o interrompimento da revista Caros Amigos em sua edição impressa, fato que se segue à saída do ar por meses do portal Carta Maior, dentre outros meios de informação crítica que vêm sendo asfixiados pelos golpistas através de mecanismos econômicos como a súbita quebra de contratos, dentre outros procedimentos mesquinhos, legais e ilegais (caso do financiamento de grupelhos ultraconservadores de propaganda difamatória). Como se sabe, o controle da imprensa nas mãos de algumas famílias a se contar nos dedos – ou mais especificamente, a censura das “edições” da quase totalidade do que lemos e pensamos a respeito do mundo –, é um dos principais meios de se manter a população entorpecida e sem ação frente à retirada de seus próprios direitos, ao lado obviamente de um sistema educativo hiperprecarizado (veja-se o sucateamento das universidades públicas, ou a supressão até mesmo do leite que as famílias com crianças recebiam nas creches paulistanas).

Derrota dos Estados Unidos – o fracasso da ALCA em 2005

A capitulação do projeto da ALCA ocorreu em um momento chave, quando o monopólio da superpotência começava a arrefecer – com o reerguimento da Rússia pós-soviética, o despontar da China como nova superpotência, e especialmente com a própria crise lógica deste sistema repleto de irracionalidade. De fato, estando todo o globo sob a influência desse modelo produtivo descontrolado, poucos anos depois se veria as potências centrais (mentoras do projeto neoliberal) serem também elas arrastadas ao buraco, na onda de desregulamentação do regime que criaram. O ápice do caos se daria em 2008, quando explode a crise mundial, evidenciando que a corrosão socioeconômica atingira o próprio coração capitalista – fato temerário que não se via desde a quebra de 1929.

Conforme analisa o editor argentino Carlos Aznarez (do Resumen Latinoamericano, jornal associado nos anos 2000 ao desaparecido tabloide comunista “A Palavra Latina”, de S. Paulo), a aceitação da ALCA teria sido como abrir os portos a um navio de guerra em que, num primeiro momento não estariam os marines, mas sim canalhas engravatados de multinacionais prontos a “devorar as riquezas ancestrais” – recursos naturais e saberes originários – dos povos de toda a América.

No mês de novembro de 2005, o balneário de Mar del Plata (Uruguai) foi tomado por manifestantes das mais variadas tendências, em um evento que abalaria politicamente os EUA. Após uma década de pressão, a derrota da ALCA se tornava um marco histórico: pela primeira vez, as nações latino-americanas se uniam em massa contra os interesses da superpotência.

Em meio à multidão, se fizeram presentes nomes de peso, como: o líder indígena Evo Morales, que em breve se tornaria o primeiro índio presidente da autóctone Bolívia; personalidades ligadas à cultura e ao esporte, como o cineasta bósnio Emir Kusturica, o craque Diego Maradona, ou o músico e poeta cubano Sílvio Rodríguez. De Cuba vieram ainda centenas de militantes enviados estrategicamente pela inteligência revolucionária caribenha. Havia também diversos representantes dos “direitos humanos” – na melhor acepção do termo –, como o ativista e prêmio Nobel argentino, Adolfo Pérez Esquivel, além de outros ligados a variadas correntes socialistas, notadamente socialistas cristãos (que como aponta Fidel Castro, sempre estiveram presentes nas revoluções americanas – caso emblemático da Teologia da Libertação).

No estádio municipal, o grande comunicador Hugo Chávez era a figura aclamada, e discursou à multidão. Entre gracejos e canções, explicou alguns dos aspectos negativos do “negócio ALCA” para as nações mais frágeis, e ofereceu como alternativa a esta união desigual e daninha, uma outra “aliança solidária” entre nossos povos: a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA, criada no ano anterior).

Seria este – até onde vivemos – o enterro da ALCA; o estádio em uníssono, pressentindo a presença da história, recitava o mantra: “ALCA, ALCA, al carajo”! Nas ruas, bandeiras gringas eram queimadas.

Instantes depois, o encontro foi mais formal, e sob uma intensiva guarda armada reuniu-se a cúpula dos governantes, em que constavam três dos mais importantes: Lula da Silva, Néstor Kirchner e o próprio Chávez. Juntos, os mandatários tiveram a firmeza de refutar o avanço do poderio industrial-financeiro ianque que ameaçava seus projetos desenvolvimentistas de então.

Enquanto isso, a pequena e sagaz Cuba, junto à ousada potência energética da Venezuela – fundadoras da ainda incipiente ALBA –, aproveitam o ensejo para difundir a proposta. Nos anos seguintes, com o propósito de lutar contra a miséria e de integrar social, política e culturalmente os povos da América, irão aderir à ALBA os novos irmãos bolivarianos, Bolívia, Nicarágua e Equador (de Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Correa), além de Honduras (que entra em 2008, sofre um golpe de Estado, e sai em 2010), e de pequenas nações como Dominica, São Vicente e Granadinas, e Antígua e Barbuda – fortalecendo o movimento, que hoje conta com mais de uma dezena de países-membros.

Os Estados Unidos sofriam assim uma de suas maiores derrotas da história. A partir deste episódio, seus olhos vidrados, dispersos há tempos pelo Oriente, famintos pelos recursos energéticos asiáticos – casos das guerras do Iraque (desde 2003) e Afeganistão (desde 2001), além  da custosa e desmoralizante sustentação do criminoso governo sionista –, atentariam de novo às riquezas da América; em especial após a crise de 2008, quando o desequilíbrio produtivo e financeiro passam a exigir do capital um novo sangue a ser usurpado.

No novo ato geopolítico, o neogolpismo se agrava. Já não se exige somente a cabeça do “fora-da-lei” Chávez, mas até mesmo se põe como alvo o reformismo lento – lulista ou kirchnerista (antineoliberal, mas não anticapitalista) –, fundado na inofensiva aliança de classes.

Os motivos básicos que geram tais manobras vão desde os citados fatores econômicos de curto prazo, até os fatores ideológicos (culturais, educacionais) de médio prazo, pois que diante de uma crise violenta e para a qual não se avista um final feliz, a opinião pública gradualmente pauperizada não pode ser minimamente consciente dos fatos (e dá-lhe MBL).

Todavia, essa “nova era golpista” tem sua cara própria. Como afirma o analista Pablo Ruiz (da Telesur), os EUA agora evitam agredir usando de seu “poder duro” (“hard power”), optando sempre que possível pelas táticas subterrâneas do “poder brando” (“soft power”) – em que às armas, direta ou indiretamente aplicadas, precede a cooptação dos tradicionalmente sujos poderes parlamentares, judiciários, econômicos e de comunicação (todos eles historicamente ligados à sujeira das classes patronais – da escravidão e grilagem, aos super-salários e sonegação de impostos).

Bolívia – 2008: mais uma intentona frustrada

Em setembro 2008, a Bolívia daria lugar a mais um fato histórico importante ocorrido em um 11 de setembro. No aniversário de 35 anos do golpe que derrubou o chileno Salvador Allende (em 1973), tem lugar no departamento boliviano de Pando uma conspiração: cerca de 30 camponeses simpatizantes de Evo Morales são assassinados por paramilitares ligados à oposição conservadora, havendo ainda uma centena de feridos.

Desde o início do ano, o país já vivia uma perigosa turbulência – quando os departamentos da região da Media Luna (“Meia Lua”, ou seja, os estados mais ocidentais, ricos em hidrocarbonetos, especialmente o valioso gás natural) começam a realizar uma série de referendos ilegais, por meio dos quais se almeja uma injustificada e excessiva “autonomia” (que mais se assemelha a uma secessão independentista). Por uma duvidosa “coincidência”, o embaixador norte-americano na Bolívia tinha estado há pouco em íntimo contato com os governadores destes departamentos insurretos; e por outra duvidosa “coincidência”, esse diplomata tinha trabalhado em anos anteriores em Pristina, capital do estado separatista de Kosovo (região no Sul da Sérvia, que com o intenso apoio do Ocidente se declarou independente, completando o processo de balcanização da outrora potência socialista Iugoslávia, uma nação arrasada pelos EUA e UE na Guerra dos Bálcãs, e que como consequência teve seu território despedaçado em meia dúzia de países inexpressivos).

Segundo o jornal El País, os governos da Media Luna estavam “com a razão”: a “balcanização” da Bolívia era a solução diante do projeto “estatal” e “autoritário” de Evo, “satélite do chavismo” [faça-se aqui um aparte para notar que esse jornal do reino espanhol é um órgão que no Brasil se propõe como alternativa de “centro” ao PIG, mas em casa é um dos líderes da mídia suja franquista-ibérica, além de ser aberto opositor do bolivarianismo].

O processo de desestabilização culmina com a mencionada matança de Pando, após uma escalada de distúrbios sangrentos, em que os tais “autonomistas” apavoram por meses a população civil com atos de violência, inclusive tomando de assalto aeroportos e edifícios governamentais. A ideia, como se vem fazendo na Venezuela, era a de lançar o país em uma situação de ingovernabilidade – para então aguardar a “condenação” de Evo Morales pela não tão imparcial “comunidade internacional”, que já falava na sua “necessidade de renúncia”.

Evo, contudo, não tinha se afastado de suas bases (ao menos não tanto como Lula), e assim, respaldado por boa parcela do povo e com o apoio crucial da UNASUR (então liderada por presidentes de centro-esquerda), expulsa o embaixador estadunidense e consegue acalmar o ímpeto golpista.

Golpe em Honduras – 2009

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No ano seguinte ao malsucedido golpe boliviano, seria a vez de outro integrante da ALBA: Honduras. Governada desde 2006 pelo empresário e dono de terras Manuel Zelaya – quem surpreendentemente aumentara o salário-mínimo e, com a crise de 2008, alinhara-se com a Venezuela –, a nação centro-americana viu em 2009 seu presidente ser sequestrado por militares (que invadem sua casa e o pegam de pijamas). Os golpistas, respaldados pelos EUA, logo metem Zelaya em um avião e o enviam à Costa Rica. A desculpa que adornaria este golpe, classificando-o  com o eufemismo de “renúncia forçada”, foi a de que ele supostamente quereria se reeleger inconstitucionalmente – acusação absurda, posto que ele tão somente tinha convocado, a respeito, uma consulta popular sem caráter vinculante.

O general que comanda a sujeira, imediatamente passa o poder ao conservador presidente do Congresso, Roberto Micheletti – e o regime golpista é “vendido” pela grande mídia internacional como sendo um “governo de transição”. Ao golpe se seguiriam diversas perseguições de correligionários e apoiadores – fora a citada saída da ALBA. Vale ainda frisar a “confissão” do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Philip Crowley, quem declarou que a base militar estadunidense de Soto Cano, no território hondurenho, tinha servido de base para os golpistas.

No fim de 2017, em prosseguimento da farsa, a união hondurenha de forças progressistas (Alianza de Oposición contra la Dictadura) foi roubada nas urnas, em fraude promovida pelas elites golpistas ora na situação.

A tentativa de golpe no Equador em 2010

Por motivo de um protesto levado a cabo por policiais e militares do Equador, supostamente por melhoria salarial, o presidente do Equador (um dos maiores aliados de Chávez) Rafael Correa se dirige em fins de 2010 ao local das manifestações para escutar as inquietações dos insatisfeitos. No local ele é agredido, raptado e depois detido em um hospital – donde seria resgatado somente após um princípio de guerra civil, em que Forças Especiais a ele leais enfrentam a balas os milicos traidores.

Segundo investigações da Comissão de Relações Internacionais do Equador, o financiamento dos distúrbios no país se deu a partir de verba destinada pelos EUA para “fortalecer a democracia na Venezuela, Equador e Cuba”. Diante disso, o bem informado Julian Assange recomendou a Correa que a melhor forma de se evitar golpes é não permitir que os EUA tenham uma embaixada.

Tempos depois (no ano passado), Correa consegue eleger um duvidoso sucessor, seu ex-vice-presidente, Lenín Moreno, quem em apenas alguns meses se coloca em rota de conflito com o projeto bolivariano do país, enveredando por uma perigosa trilha de aproximação com os EUA. A ver o desenrolar da história.

Golpe paraguaio de 2012: um ataque à Venezuela pelo sul

Uma das manifestações mais nítidas da lavagem cerebral que domina a frágil psique das classes médias em crise, pode ser notada no ódio descontrolado com que diversas pessoas – algumas até mesmo que se consideram “de esquerda” – esbravejam contra as supostas “ditaduras” cubana e até venezuelana. Frente a tal epidemia de repetição idiotizada de discursos ideológicos, vale rever uma análise das mais “científicas”, elaborada há cinco anos pelo diplomata Samuel Pinheiro Guimarães: “Estados Unidos, Venezuela e Paraguai”.

Publicado na Carta Maior, o artigo do erudito economista e professor mostra as conexões que unem o início da era neogolpista (primeiros anos do século XXI), ao golpe paraguaio que então acabara de ocorrer (2012). A mensagem do texto é visionária: o golpe parlamentar da pequena e vilipendiada nação guarani, não foi em si mesmo uma prioridade aos barões do capital, mas antes de tudo foi um ato interessado em alvejar a superpetroleira Venezuela, e por extensão, ao enfraquecer o Mercosul, em abalar a união opositora das subpotências americanas Brasil e Argentina.

Desde os anos 1920, empresas dos EUA foram investidoras do setor petrolífero venezuelano – de modo que a Revolução Bolivariana interrompeu este “acordo” de profunda dependência, mediante o qual o país fornecia aos estadunidenses petróleo barato, e lhe comprava os caros equipamentos industriais do setor. Dado desse revés de tal modo estratégico – que assegurava aos EUA o acesso a fontes de energia próximas e confiáveis –, a potência do Norte, em aliança com as elites locais, desde logo passam a demonizar Chávez, com provocações, promoção de cenas de violência, asfixiamento econômico e, como consequência da desordem e polarização social criada, com argumentações de que ele embora “eleito democraticamente”, não fazia um “governo democrático” – e portanto era um “ditador”.

Chávez se vê então “empurrado” a tomar decisões mais radicais – em um processo aliás parecido com o que levou o insurgente anticapitalista e independentista Fidel Castro a se voltar decididamente ao comunismo, alguns anos depois da tomada de Havana. Assim, a Venezuela se associa à China, dirigindo para o gigante oriental suas exportações do ouro negro; por outro lado,  passa a substituir a Rússia como franca aliada e fornecedora de energia para Cuba, além de centrar forças no apoio de governos progressistas democraticamente eleitos (como o boliviano e o equatoriano, que passam a seguir os mesmos passos da nação petroleira, enfrentando as oligarquias e vindo a receber os ataques da mídia internacional e de organizações ultraconservadoras subterrâneas).

Lembremos, entretanto, que em 2001 Caracas havia começado os trâmites para seu ingresso no Merco-Sul, o que só viria a ser efetivamente debatido em 2006, a partir do “protocolo de adesão” assinado por Lula, Kirchner, Tabaré Vázquez e o conservador e fraco então presidente paraguaio, Nicanor Duarte. O passo seguinte foi a submissão do pedido de adesão venezuelana aos congressos de cada um destes países: o que acabou por ser barrado no congresso do Paraguai.

Como bem analisa Samuel, o Paraguai passa portanto a ser peça fundamental para a política externa dos Estados Unidos, pois a entrada da Venezuela no Mercosul lhe traria sérios revezes ao Império, a saber: dificultaria um golpe contra Chávez, e subsequentemente a reincorporação à superpotência daquele enorme potencial energético; e atravancaria a retomada do projeto derrotado da ALCA, que agora tentava uma nova via – mediante a “fusão” dos acordos bilaterais de comércio que vinham sendo alinhavados pelo país do Norte, caso da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), e do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (México e Canadá).

Com o apoio tácito dos EUA ao reacionarismo paraguaio, os tradicionais partidos Colorado e Liberal não se furtam a derrubar o bispo eleito presidente, Fernando Lugo – quem interrompera o continuísmo colorado de seis décadas –, sabendo que qualquer sanção contra seu golpe seria bem amortecida pelas benesses vindas do Norte. Utilizando-se da infiltração de mercenários franco-atiradores, os golpistas promovem uma matança entre sem-terras e policiais, pretexto para poderem submeter o presidente a um julgamento político relâmpago (de apenas 36 horas!), que teve por resultado seu impedimento.

Simbolicamente, os EUA, a monarquia da Espanha, o absolutismo católico do Vaticano e a comandante da UE, Alemanha, são os primeiros a darem seu aval aos golpistas.

Outro aspecto não mencionado aqui pelo diplomata, mas que não pode deixar de ser considerado, é o interesse geoestratégico dos EUA na Tríplice Fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, posto que aí se encontra um dos maiores reservatórios de água do mundo, o Aquífero Guarani; ademais, com uma base no centro do território sul-americano, ficaria facilitada a tarefa de controle de recursos latino-americanos – como as reservas do pré-sal.

Contudo, o que nem os países apoiadores do golpe (representantes do centro capitalista mundial), nem os próprios golpistas contavam, era com a nova ousadia dos governos reformistas do Sul, que após derrubarem a ALCA, agora se uniam para suspender o Paraguai, e em seguida aprovar a entrada venezuelana no Mercosul.

Ascensão golpista reacionária

Consequência deste enxadrismo da política internacional foi que os EUA tiveram de se articular fortemente e por anos até obterem a suspensão da Venezuela do Mercosul, instigando as ações de arruaceiros que temos visto nos últimos tempos, em paralelo ao sufocamento econômico da nação.

Aliás, esta tática é a mesma usada contra Cuba, país esmagado por leis que asseguram que um navio que um dia aporte no país, jamais voltará a aportar ou vender algo nos EUA (os maiores compradores do planeta); ou que proíbe o uso, por qualquer empresa do mundo, de um grama sequer do níquel exportado por Cuba, em quaisquer de seus aparelhos eletrônicos, sob a pena de embargo geral de seus produtos.

Porém, com a forte resistência popular a sustentar Nicolás Maduro, o êxito das operações estadunidenses ganharia efetiva concretude política somente a partir do final de 2015, com o sucesso dos golpes realizados contra a Argentina (midiático-eleitoral) e Brasil (parlamentar-judiciário-midiático) – situação que minaria enfim a independência do Mercosul.

Fica portanto a reflexão para as tais “esquerdas antimarxistas” – aliancistas, ecocapitalistas laranjas ou blasés: é preciso olhar a História de forma mais ampla, ou “totalizante”, antes de se sair acusando levianamente nações autônomas como Cuba, Venezuela, Bolívia, ou mesmo Síria, de serem “criminosas ditaduras”. 

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