E O CHÃO SE ABRIU O crescimento do setor de mineração e as consequências diversas no solo, nas águas e na vida do trabalhador. Por Lilian Primi

Contra hegemonia

Por Fania Rodrigues

A jornada de manifestações de junho de 2013 deixou legados incontestáveis, mas talvez ainda seja prematuro avaliar a totalidade do impacto causado na sociedade e na política. Uma coisa é certa: os gritos de protesto nunca foram mostrados em tantos ângulos. Fotos, vídeos, áudios e mensagens de texto, tudo instantâneo, em tempo real. Pela primeira vez a grande imprensa foi contestada em grande escala. Com câmeras e celulares nas mãos, ativistas mostravam a notícia em diversos ângulos, era a própria rua encontrando sua forma de comunicar, com toda sua pluralidade e, obviamente, uma boa dose de polêmica. A verdade dos fatos nunca foi tão plural.

Jornalista há 27 anos, Raquel Boechat, afirma que desde o começo as manifestações chamaram muito a sua atenção. “Mas o que mudou mesmo minha visão dos fatos foi o que aconteceu no protesto do dia 13 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, dois dias antes da abertura da Copa das Confederações. Nesse dia estava acompanhando a manifestação, ao vivo, pela TV e a internet. Percebi que havia muita diferença entre a cobertura da Globo e das outras mídias. Vi oito vídeos de midiativistas que mostravam uma única versão dos fatos e outro, da Globo, mostrava outra coisa, completamente diferente”, relata a jornalista, integrante do coletivo Carranca, um dos principais grupos de midiativistas do País. Ela conta que nesse dia decidiu que era hora de ir para a rua, entender o que estava acontecendo e difundir a verdade. Raquel não sabia, mas outras pessoas fariam a mesma coisa. E todas elas se encontrariam nas ruas e descobririam novas formas de comunicar os acontecimentos e as denúncias.

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Direita domina palco político e avança sobre o governo, que faz concessões

Por José Arbex Jr.

Disputas internas entre grupos, subgrupos e grupelhos, carreirismo de burocratas e oportunistas, acordos sem princípios, arranjos de conveniência e manobras palacianas conduzem o Partido dos Trabalhadores a um perigoso beco sem saída, numa conjuntura em que a direita toma todas as iniciativas políticas. Há uma óbvia contradição com o resultado das urnas: o partido vencedor é acuado, verga sob o peso de seus próprios erros e armadilhas, torna-se refém de uma base parlamentar ideologicamente hostil e politicamente oportunista, encara com perplexidade os problemas colocados pela ausência de um programa estratégico de governo. O governo Dilma Rousseff, em resumo, corre o sério risco de ver a sua reeleição transmutada numa mísera vitória de Pirro.

O imperialismo foi derrotado, em outubro passado. O seu candidato era Aécio Neves, profeta da privatização total da Petrobras, do pré-sal e de tudo que ainda permanece público e que pode engordar os cofres das transnacionais, além de defender uma política externa subordinada aos interesses de Washington. Mas a derrota do imperialismo não significou uma vitória estrondosa dos trabalhadores e da juventude, dada a natureza da candidatura Dilma, cimentada por alianças espúrias que incluíram até mesmo setores do capital financeiro, industrial e da bancada ruralista. O voto Dilma foi muito mais de resistência à ofensiva do capital encarnada por Aécio, do que de apoio e esperança na continuidade governista. Foi, por assim dizer, a escolha do menos pior.

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Coletivos teatrais esperam pouco do novo mandato da presidenta Dilma, mas planejam mobilização para exigir políticas consistentes

Por Eduardo Campos Lima

Marta Suplicy nem esperou terminar a primeira gestão de Dilma Rousseff para deixar o Ministério da Cultura (MinC), divulgando sua carta de demissão no dia 11 de novembro. Em texto sobre sua gestão, publicado na sessão Tendências/Debates da Folha de S. Paulo, no dia 23 de novembro, Marta aponta as principais realizações do período, destacando a aprovação de leis estruturantes da política de Estado para a cultura no Brasil, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Música, que desonera a produção e reduz custos para os consumidores, e a Lei da Cultura Viva, que estabelece a política dos pontos de cultura. Diretamente sobre teatro, entretanto, o texto não traz uma palavra.

Não por acaso, os artistas da área fazem um balanço negativo do Governo Federal no último período, em que possíveis avanços, baseados em anos de discussão, pareceram esbarrar em falta de recursos e de vontade política. Nos estados e municípios, com raras exceções, o quadro é ainda pior, com escassez generalizada de programas de incentivo a coletivos teatrais (veja depoimentos). Grupos de teatro do País inteiro preveem anos difíceis no segundo mandato de Dilma – e tentam encontrar os caminhos para fortalecer a luta por suas demandas junto ao governo.

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Urgência para os problemas no campo

Por João Pedro Stedile

Senhor ministro da Reforma Agrária,

Os quatro senhores que sentaram na sua cadeira no período 2011-2014 não mereceram o título de ministros da Reforma Agrária. Estiveram aquém de suas responsabilidades: as metas de reforma agrária foram as piores desde a queda da ditadura militar. Foi um período em que houve poucas soluções e os problemas só se agravaram.

Não há nenhuma justifi cativa ou explicação capaz de argumentar sobre a existência de mais de cem mil famílias acampadas, milhares há mais de oito anos, sofrendo todo tipo de necessidades.

Sabemos que a reforma agrária clássica, massiva, que conseguiu derrotar o latifúndio, democratizar a propriedade da terra e desenvolver as forças produtivas no campo é um programa agrário justaposto a um projeto de desenvolvimento nacional e industrial, que foi derrotado em nosso País.

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Como estamos nos desviando de nossa verdadeira vocação energética: a de se valer da energia vegetal para produzir combustível

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Sou inteiramente contra o pré-sal e isso não tem nada a ver com a ecoevangélica capitalista Marina Silva, a musa seringueira do banco Itaú. Nem tampouco com o líder improvisado Néscio Neves, o qual entre um pau de toco e o banco, não vacila como todo tucano crematístico.

Meu repúdio ao pré-sal tem a ver com Bautista Vidal e Marcelo Guimarães, os integrantes da revolucionária Escola da Biomassa, a qual foi levianamente sabotada pelos empresários José Goldemberg e Rogério Cerqueira Leite, do currículo das universidades de São Paulo (USP) e de Campinas (Unicamp), e, por extensão, dos brasis universitários.

O melancólico detalhe, a nomeação pemedebê de Lobão feita por Sarney para o Ministério das Minas e Energia, é que Lula e Dilma conheceram pessoalmente Bautista Vidal e Marcelo Guimarães, os dois grandes cientistas da ecologia e da energia. De fato conheceram, não compreenderam ou negligenciaram a ciência do sol e dos trópicos a favor da fartura do povo. Imperdoável.

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Como a internet tem sido usada para propagar o machismo e o ódio contra a mulher

Por Laís Modelli

De janeiro a junho de 2014, 108 casos de exposição de imagens íntimas na internet foram registrados no Brasil, segundo dados da ONG SaferNet. No mesmo período, em 2013, foram registrados somente 39 casos. Segundo a psicóloga Juliana Cunha, coordenadora do Helpline Brasil, um canal da ONG que oferece orientação ao público sobre segurança na rede, a tendência é que este número aumente cada vez mais.

Juliana explica que não foram necessariamente os incidentes que aumentaram, e sim as denúncias, antes não feitas com tanta frequência pelas vítimas. O perfil das pessoas que sofreram sexting, como é chamado esse tipo de crime nas redes sociais e via smartphones, e tiveram sua intimidade violada, é, em sua maioria, de mulheres (77,14%), e com idades entre treze e quinze anos (35,71%), e dezoito e 25 anos (32,14%).

Considerando que nosso País tenha 45% dos lares com computadores com acesso à internet e 88% da população coberta por uma rede 3G, de acordo com o relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT), o estrago na vida de uma pessoa que teve uma foto “compartilhada” é enorme.

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