O inventor da língua de brincar

Por Bosco Martins

“Sou um cara que ama brincar com palavras. Eu me criei no mato moda ave. O lugar onde me criei tinha só árvore, água e passarinhos. O lugar me inventou para fazer brinquedos. palavras, eu batizava elas a meu gosto. Sou hoje um cidadão, inventor da língua de brincar. E me comunico em livros na língua de brincar. Não há nisso metafísica?”

Assim Manoel de Barros gostaria de ser lembrado. Em 19 de dezembro Manoel completaria 98 anos!! Pouco mais de um mês antes, em 13 de novembro, ele se foi. Virou passarinho, como disse uma de suas netas.

O Pantanal, lugar em que Manoel de Barros inspirou a sua poesia, não vestiu luto. Bernardo, seu inesquecível personagem/amigo, não entristeceu, comemorou sim o reencontro com o velho amigo. Nós, seres mortais, sentimos sua partida. Uns choraram copiosamente; outros releram sua obra. O Universo não ficou triste pela partida do Manoel. Ele também comemorou a criação de mais um filho ilustre. O poeta que colocou a poesia no berço da literatura universal fica eternizado em sua obra. O amigo, uma nuvem a se desmanchar ao vento. Deles, poemas e prosas, fazemos uma parte de nós.

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Deputado federal reeleito analisa o embate da campanha e pós-campanha e vê traço fascista no “antipetismo”

Por Fania Rodrigues

Baiano de nascimento, Jean Wyllys é deputado federal pelo PSol do Rio de Janeiro. Ele ficou conhecido ao participar e vencer o Big Brother Brasil 5, e ganhou respeito depois que foi eleito em 2010. Gay assumido,
Jean Wyllys foi salvo da pobreza pela educação e sua inteligência acima da média. Aos catorze anos foi para um colégio interno para crianças com altas habilidades de assimilar conhecimento, venceu a pobreza do agreste baiano, se tornou jornalista, mestre e doutor pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente deputado no Congresso Nacional, dedica-se a defender os Direitos Humanos das minorias, entre elas a causa LGBT. Ao longo das eleições desse ano, Wyllys consolidou sua postura política ao puxar, com outros
parlamentares, uma frente no PSol defendendo o voto em Dilma para espantar a sombra do tucanato
– o partido havia liberado seus militantes, exceto para votar em Aécio Neves.

(...)

Caros Amigos - Quais as principais conquistas do seu mandato? Que diferença você fez no Congresso?

Jean Wyllys - A primeira diferença é o fato de ser homossexual assumido, isso por si só já tem um valor
político muito grande. Entre os 513 deputados federais há um que se assume homossexual e de maneira orgulhosa. Minha conduta lá dentro, minha relação com os deputados e a maneira com que conduzo as pautas despertam um respeito muito grande. Isso é muito importante do ponto de vista político, porque aquele garoto, que está em Araraquara (SP), no interior do Piauí, aquele garoto gay, que cresceu em uma sociedade homofóbica, ao ver uma pessoa homossexual no poder, no parlamento, na tribuna, com voz e com respeito, ele vai dizer: “É possível”. Por isso sou tão atacado e há tanta calúnia e difamação contra mim,
promovidas por fundamentalistas religiosos e por fascistas. Eles sabem que minha conduta e meu exemplo contraria o discurso homofóbico.

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Homen não chora

Por Sérgio Vaz

Tem homem que não chora
se humilha
se ajoelha
apanha na cara
passa fome
anda em farrapos
beija a mão da vida
e se cala,
mas não chora.

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Novo mandato deve ser de enfrentamento das forças conservadoras; um dos embates é com os meios de comunicação hegemônicos

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Estupidez é afirmar que a última eleição dividiu o País. Na verdade, a desigualdade regional se manifestou na diferença entre o Sudeste e o Nordeste, embora não seja nítido o caráter separatista da luta de classe. Ainda não se confi gurou uma Coreia do Sul e uma Coreia do Norte.

No Sul não foram apenas os abonados e os remediados que votaram no PSDB, muita gente do proletariado, do subproletariado e da marginália votou no neto do Tancredo Neves. Explicar essa votação é fundamental, sem que se perca de vista quão difícil é discernir o que separa politicamente um petista de um tucano. Quase tudo o mesmo, programa, fala, gesto, sexo, estética e televisão. Essa afi nidade eletiva, que não exclui a repulsa, eu a denominei de arco petucano.

Militei nas ruas a favor da Dilma, verifiquei na prática o petucanismo, a extrema difi culdade de retratá-la para diferenciar do sibarita Aécio. Essa dificuldade não estava em minha argumentação e sim na história que gerou o petucanismo das últimas três décadas. Existe um PT dentro do PSDB e um PSDB dentro do PT. Essa identidade (interesses diversos, mas não adversos) está fundada na ideia do capital estrangeiro como motor do desenvolvimento. Sem o investimento estrangeiro na economia nada funciona.

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A estética dos escravocatas

Por Marcos Bagno

No ano de 1999, fui convidado por alguns professores da USP para conversar com seus alunos, que tinham lido dois livros meus, Preconceito Linguístico e A Língua de Eulália, que discutem os aspectos sociológicos e históricos da imposição de uma noção de “língua certa”, atrelada a uma determinada classe social, e da condenação de todas as demais maneiras de falar como puro e simples “erro”. Não fui promover nenhuma ideia radical ou original. Faz muito tempo que está consagrada nos estudos da linguagem a noção de que todas as variedades linguísticas têm lógica gramatical inegável e que a promoção de uma delas como “a língua” é mero resultado de disputas de poder ao longo da história. Ora, ao sair de uma das turmas, fui abordado no corredor e, literalmente, posto contra a parede por uma moça branca e loura, muito bem vestida, que, com furor no olhar e voz trêmula, me disse, sibilando baixo como uma cobra prestes a dar o bote: “Isso que você faz é um crime! Eu vim estudar na USP por motivações estéticas, para aprender o que é certo e bonito! Essa sua defesa da fala errada é um absurdo!”. E ela se foi, fazendo ecoar seu salto alto.

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Os novos cronistas

Por Alexandre Matias

Dois dos principais discos lançados no Brasil são discos de rap. Por mais distantes que pareçam, tanto o terceiro disco de Criolo (Convoque Seu Buda) quanto o sexto disco dos Racionais MCs (Cores e Valores) foram lançados de surpresa no último mês e o impacto de suas chegadas não apenas consolida seus dois autores como os principais nomes do gênero no Brasil hoje (ao lado de Emicida, de quem falei na coluna da edição passada), como impõe o protagonismo do hip hop ao panteão da atual música brasileira. O rap não é mais um gueto, é um dos gêneros mais populares do Brasil e seus 25 anos de história cacifam seus nomes mais importantes a entrar no panteão de nossa produção cultural.

Surgido no final dos anos 70, o hip hop chegou ao Brasil quase uma década depois de seu nascimento. O canto falado sempre foi uma característica particular do vocal brasileiro, do samba de breque ao repente, Chico Science, Fausto Fawcett e Evandro Mesquita pertencem a um cânone paralelo da música brasileira, que fez o hip hop ser absorvido mais facilmente no País.

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Ministério anunciado poderia integrar um eventual governo Aécio; trabalhadores terão que sair às ruas por direitos e soberania do pré-sal

Por José Arbex Jr.

“Vamos eleger a nossa guerreira” – o cartaz colado à parede traz a foto da jovem Dilma Rousseff, presa e torturada pela ditadura militar. Evoca também a lembrança dos dias tensos que antecederam a realização do segundo turno das eleições presidenciais, em 26 de outubro, quando Aécio Neves tinha chances reais de vencer. Mesmo para quem não alimentava nenhuma ilusão em Dilma, mesmo para quem sabia das limitações de seu governo, sua candidatura aparecia como a única possibilidadede barrar o terror tucano. Mas, menos de um mês após o encerramento da última urna, a sensação de vitória deu lugar à perplexidade e ao escárnio, quando fi cou absolutamente claro que os principais ministérios de Dilma poderiam, perfeitamente, integrar um eventual governo Aécio.

Poderiam integrar um eventual governo Aécio ou coisa pior, como a própria Dilma fez questão de mostrar, em 19 de novembro, ao convidar, com absoluta desfaçatez e desenvoltura, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) a ocupar o posto de ministra da Agricultura. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), corpo e alma do agronegócio no Brasil, a senadora foi denunciada por conivência com a prática do trabalho escravo. Dilma estende o tapete vermelho que sai da Casa Grande e termina na Esplanada dos Ministérios: eis aí a que foi reduzida a “nossa guerreira”, o “coração valente”. Raras vezes, no mundo da política, a farsa revelou-se de modo tão fulminante e explícito. O cartaz ainda está lá, fixado à parede, mas já com outro significado, completamente distinto: tornou-se a evidência de um crime de lesa-nação, de um gigantesco e insuportável estelionato político e ideológico.

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