O LEGADO NADA HONROSO DE FHC

Por Lúcia Rodrigues

Privataria dilapidou patrimônio público, transferiu 15% do PIB para empresas privadas e demitiu cerca de 500 mil trabalhadores; livro revela bastidores

O modelo de desenvolvimento econômico adotado pelos governos brasileiros ao longo dos anos 1990 promoveu o mais amplo desmonte do Estado ao transferir para o setor privado parte significativa do patrimônio público. 

Segundo o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde à soma de tudo o que é produzido mno País, foram repassados para as mãos do capital privado – o que daria cerca de 660 bilhões de reais, considerando o PIB de 2012 que foi de 4,4 trilhões de reais. “O receituário neoliberal adotado pelo governo FHC desconstituiu o País”, frisa Pochmann. Para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Francisco Fonseca, o desmantelamento estatal levado a cabo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de transferir recursos públicos para o setor privado, subordinou os interesses do País ao proveito do capital externo. “Collor não tinha projeto, Fernando Henrique tinha, mas era o da subordinação ao capital estrangeiro”. A legislação chegou a ser alterada para permitir que não houvesse nenhuma diferenciação no tratamento entre os capitais nacional e estrangeiro por parte do governo. “Isso foi um completo absurdo”, critica Fonseca.

O próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criado em 1952 para ser um agente fomentador do desenvolvimento interno, acabou se convertendo em financiador também de empresas estrangeiras que quisessem adquirir bens nos leilões realizados.

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MANIFESTAÇÕES DE JUNHO E MAIS TEMAS RELEVANTES

Por Renato Pompeu

 

cidades-rebeldes-capaUm livro de apenas 110 páginas, mas com 18 autores, discute de maneira multifacetada as manifestações que em junho abalaram o País. Trata-se de Cidades Rebeldes – Passe Livre e as Manifestações que Tomaram as Ruas do Brasil, pela Boitempo. Com apresentações do fi lósofo Paulo Eduardo Arantes e do pensador Robert Schwarz, desfilam ante nossos olhos apreciações de grandes autores nacionais e estrangeiros: Carlos Vainer, David Harvey, Ermínia Maricato, Felipe Brito, João Alexandre Peschanski, Jorge Luiz Souto Maior, Leonardo Sakamoto, Lincoln Secco, Mauro Luis Iasi, Mídia NINJA, Mike Davis, Movimento Passe Livre-São Paulo, Pedro Rocha de Oliveira, Raquel Rolnik, Ruy Braga, Silvia Viana, Slavoj Zizek e Venício A. de Lima. Uma verdadeira constelação de autores, digna da grandiosidade de seu tema.

Redes

Igualmente sobre os protestos de junho, os professores universitários Edson Fernandes e Ricardo de Freitas Roseno lançaram pela Prata o livro Protesta Brasil – Das Redes Sociais às Manifestações de Rua. Segundo a apresentação, a obra “levanta o papel das redes sociais, os ativistas digitais e os impactos na sociedade durante as manifestações; discute o problema das bandeiras partidárias e dos profi ssionais de mídia hostilizados; revela a violência entre os manifestantes pacífi cos, os grupos radicais e a polícia e aponta os políticos acuados pelo grito do povo – o que possivelmente continuará transformando a vida dos brasileiros”.

Drogas

Já a filósofa Marcia Tiburi e a psicóloga Andrea Costa Dias publicaram pela Civilização Brasileira o trabalho Sociedade Fissurada – para Pensar as Drogas e a Banalidade do Vício. Diz a contracapa: “As drogas são o centro de um poder importantíssimo em nossa cultura. Por isso tantos tentam dar a última palavra sobre elas. Parar para pensar a história e o signifi cado da expressão “drogas” é uma das intenções deste livro. O objetivo é libertar o pensamento da sua própria ignorância e da prepotência geral dos julgamentos morais sobre sujeitos envolvidos com drogas. Promover a reflexão séria que leve em conta o sistema social e os dispositivos de poder que capturam indivíduos, contribuindo para colocá-los a serviço das drogas em processos de comprometimento subjetivo muitas vezes nefastos (...). Tema espinhoso na medida em que convoca a pensar sobre aquilo com o que a sociedade não é muito afeita a se haver: as questões que lhe são próprias, a fissura da qual padece”. 

Walter Benjamino-capitalismo-como-religic3a3o-de-walter-benjamin-capa

Do famoso filósofo alemão Walter Benjamin, a Boitempo lançou uma coletânea de textos, O Capitalismo como Religião, pouco conhecidos não só do grande público como dos próprios especialistas no filósofo, pois se trata de inéditos só agora impressos, com esclarecedor prefácio do pensador brasileiro radicado na França Michael Löwy. A grande revelação é que a crítica de Benjamin, considerado um marxista inovador, ao capitalismo, tinha um fundo também religioso, assim como o socialismo no qual baseou suas esperanças. Por exemplo, ao atacar o capitalismo como a religião da “Schuld” (“culpa” e “dívida”, em alemão), Benjamin assimilou “impulsos oriundos tanto do romantismo alemão quanto do messianismo judaico e do marxismo libertário”, numa verdadeira teologia.

Crítica literária

Do também célebre pensador palestino radicado nos Estados Unidos Edward Said, já falecido, é a coletânea de crítica literária e crítica humanista em geral A Pena e a Espada – Diálogos com Edward W. Said por David Barsamian, Editora Unesp. Diz a escritora Arlene Clemesha: “O legado crítico do antigo professor de literatura inglesa coloca-o como um dos intelectuais engajados mais importantes de nosso tempo, seguindo a tradição de Frantz Fanon, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Noam Chomsky, Huda Shaarawi, entre outros cujas obras procuravam não apenas interpretar, mas mudar a realidade”.

Política externa

Também da Editora Unesp é Política Externa e Democracia no Brasil, do cientista político Dawisson Belém Lopes. O atual ministro da Defesa e antigo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destaca: “Com lastro empírico e solidez analítica, este livro traça um amplo panorama histórico e teórico do sistema de formação da política externa brasileira. O autor procura construir uma solução dialética entre os conceitos de democracia e de república em nossa história diplomática. Trata-se de uma contribuição valiosa para um debate ainda incipiente no país”.

Em suma, livros que valem a pena ler com cuidado e atenção.


 Renato Pompeu é jornalista e escritor.

EDUARDO GUDIN: UM SAMBISTA FIEL

Por Eliete Negreiros

Conheci Eduardo Gudin nos anos 1960. Eu estava cursando o “clássico” - era assim que era dividido o estudo depois do ginásio: clássico e científico - e ele era jurado no festival do colégio onde eu estudava, o Rio Branco, e onde cantei pela primeira vez na vida num teatro lotado e agitado. No júri também estava Johnny Alf. Isso foi em 1968. Desde então, nos tornamos amigos. Naquela época éramos muito jovens, eu uma estudante que cantava e ele já um renomado sambista. Gudin começou muito cedo e se manteve fiel ao samba. Nasceu no dia 14 de outubro de 1950, em São Paulo, e começou a tocar violão com 13 anos. Com 16 já iniciava sua carreira na TV Record, levado por Elis Regina. Nos anos de 1968 e 1969 participou dos grandes festivais de música popular desta emissora, estreando como compositor.

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OLHO ESPIÃO

Por Frei Betto

As recentes denúncias do jovem Edward Snowden nos permitiram saber que a maior espionagem praticada na história da humanidade é made in USA. Os EUA, que consideram a segurança mais importante a liberdade e o capital que os direitos humanos, metem o nariz na vida de pessoas, governos, empresas e instituições.

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LUIZ GUSHIKEN

Por Gabriela Allegrini

UM BOM COMPANHEIRO

Paulista nascido em Oswaldo Cruz, em 1950, Luiz Gushiken viveu e morreu seguindo os princípios dos seus antepassados japoneses. Até os últimos dias manteve a sabedoria e serenidade que tanto o caracterizaram em vida. Gushi, como era chamado pelos amigos, lutou por mais de uma década contra o câncer com a mesma coragem que enfrentou durante anos as acusações de participar do chamado mensalão, das quais foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal.

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O TESTEMUNHO

Por Gershon Knispel

Tentando interessar os leitores de Caros Amigos nos problemas e preocupações da minha próxima exposição

O professor Fábio Magalhães, incansável pesquisador da arte, um dos primeiros presidentes do Memorial da América Latina, e que nos anos 1990 encabeçou o Museu de Arte de São Paulo (Masp), foi convidado seis meses atrás para visitar a primeira grande sinagoga. Ela foi criada pelas ondas de imigrantes judeus vindos a São Paulo no começo do século passado e transformada em sede da organização beneficente Ten Yad (“Dê a mão”, em hebraico), na rua Newton Prado, no Bom Retiro.

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AS REFORMAS ESTRUTURAIS NECESSÁRIAS

Por João Pedro Stedile

O Brasil segue enfrentando muitos desafios para uma sociedade mais justa, democrática e igualitária. Seguimos com a pior concentração de riqueza do planeta e uma das piores de renda. A política econômica não consegue priorizar investimentos para gerar empregos de qualidade, superar os problemas de transporte público, universalizar o acesso à universidade e garantir moradia e saúde.

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