Primeira vila operária do Brasil comemora 100 anos neste sábado (6)

Cultura
Typography

Festa terá atividades culturais e debates ao longo do dia

Por Lúcia Rodrigues
Especial para Caros Amigos

A primeira vila operária erguida no Brasil comemora 100 anos neste sábado (6). Situada no bairro do Belenzinho, na zona leste da capital paulista, a Maria Zélia demorou em torno de seis anos para ficar pronta. Para lá foram levados os trabalhadores da Companhia Nacional de Tecidos da Juta, do empresário Jorge Street. O nome do condomínio residencial foi uma homenagem à filha do industrial que morreu um ano antes da inauguração, vítima de tuberculose.

A chegada da tecelagem ao bairro triplicou o número de trabalhadores na região. Isso criou uma demanda por habitação. A Maria Zélia veio para suprir o problema da falta de moradia. Projetada como uma pequena cidade, a vila operária possuía até escola. Isso fazia com que os trabalhadores circulassem quase que exlusivamente entre a fábrica e a vila, mantendo-os sob o controle do patrão.

Com o encerramento das atividades da tecelagem, a fábrica chegou a ser transformada em presídio político durante o governo Vargas. Os equipamentos sociais da vila também foram fechados. O abandono gerou deterioração e alguns deles acabaram ruindo. Mas várias estruturas permaneceram e precisam ser restauradas. Da vila operária restaram 171 casas. Muitas delas foram reformadas e acabaram perdendo os traços da origem. Restaram também alguns armazéns como o que funcionava o boticário, ocupado hoje pela Associação Cultural Maria Zelia. No domingo (7), o antigo prédio da sapataria será transformado em um centro de memória.

PUBLICIDADE
,
PUBLICIDADE

História

Foi justamente a preocupação com a preservação dessa memória que motivou os moradores, por meio da Associação Cultural Maria Zelia, a organizarem uma programação para celebrar o centenário da mais importante vila operária do país. O calendário de atividades começa neste sábado (6). Estão previstas uma série de atividades culturais, como peças de teatro, serenata pelas ruas, show de marionetes, além de exposições e lançamentos de livro e vídeo sobre a história da Vila.

Além da programação cultural que se estende ao longo do mês de maio, os moradores também realizam debates para cobrar do poder público, municipal e estadual, intervenções para a melhoria da área que está abandonada pelos órgãos que deveriam cuidar de sua preservação. A Vila Operária Maria Zelia foi tombada  pela Prefeitura de São Paulo em 1992, mas não foram destinados recursos para a preservação desse patrimônio histórico da cidade de São Paulo.

Confira a programação aqui.

 

Artigos Relacionados

"Margens do Velho Chico" e as histórias de seca, violações e esperança ao longo do rio
ÁGUA PARA O SERTÃO Em quatro capítulos, especial desvenda parte do projeto de transposição...
Cultura deve democratizar a relação com a cidade, diz Juca Ferreira Cultura deve democratizar a relação com a cidade, diz Juca Ferreira
ENTREVISTA Ex-ministro dos governos Lula e Dilma assume coordenação de cultura de Belo...
 “A cultura da cidade de São Paulo está agonizando”, denuncia artista em ocupação de Secretaria de Cultura “A cultura da cidade de São Paulo está agonizando”, denuncia artista em ocupação de Secretaria de Cultura
FORA STURM Após ameaça de agressão, movimento pede saída de André Sturm do cargo de secretário...

Leia mais

Correio Caros Amigos

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
×