Temer usa BNDES para "comprar apoio político" diz economista

Economia
Typography

 

"É inaceitável usar o BNDES para esse fim", avalia João Sicsú

Por Luciano Velleda
Da Rede Brasil Atual

O presidente Michel Temer reuniu governadores de diversos estados para um jantar, na última terça-feira (13), no Palácio da Alvorada. No menu, foi servida a possibilidade de renegociação das dívidas dos estados com o BNDES.

Embora a pauta não seja nova, integrantes do próprio governo Temer reconhecem que a retomada do assunto é uma ação para angariar apoio político dos governadores e suas respectivas bancadas, num momento em que o presidente está prestes a ser denunciado por corrupção pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Coincidentemente, o jantar de Temer com os governadores ocorreu horas depois de deputados e senadores de diversos partidos lançarem a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, com apoio de economistas, entidades do setor bancário e da sociedade civil.

Leia mais:

"Crise de 2008 foi causada não por falta, mas por overdose de lucro", diz biógrafo de Marx em SP

PUBLICIDADE
,
PUBLICIDADE

Mesmo com Selic menor, taxa real de juros segue "absurda" e inviabiliza retomada

Prazer com a crise vem de longe

Para o economista João Sicsú, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos mentores da criação da frente parlamentar, a utilização dos bancos públicos para fins políticos é algo “inédito” e “gravíssimo”.

“É inaceitável usar o BNDES para esse fim. Ele está comprando apoio político, se aproveitando do momento de fragilidade dos estados”, afirmou o economista, destacando que não se pode criminalizar as atividades do banco público, como vem sendo feito recentemente, mas que a ação de Temer no atual contexto “é uma clara interferência política”.

“O BNDES tem que ter projeto, pode-se concordar ou não com o Luciano Coutinho (ex-presidente do banco até maio de 2016), mas havia projeto. Agora, fazer troca-troca por apoio político é inédito. Essa é a questão. Acho gravíssimo esse aspecto.”

João Sicsú pondera que uma crítica recorrente à gestão dos bancos públicos é que eles seriam conduzidos de forma “apadrinhada”, mas ele ressalta que os resultados não comprovam isso, já que os bancos públicos tem um grau baixo de inadimplência. Entretanto, o economista e professor da UFRJ destaca que essa forma "apadrinhada" é justamente o que Temer está fazendo agora.

Sicsú ainda lembrou da decisão do governo, em dezembro de 2016, de antecipar pagamentos do BNDES ao Tesouro Nacional em um total de R$ 100 bilhões em financiamentos obtidos com a União entre 2008 e 2014. Para o economista, a intervenção na época até poderia ser discutida, mas havia um objetivo fiscal, ao contrário de agora, em que o gesto de renegociar as dívidas dos estados adquire ares de barganha política por alívio ao caixa dos estados.    

Artigos Relacionados

Temer eleva impostos e corta orçamento em mais R$ 5,9 bilhões Temer eleva impostos e corta orçamento em mais R$ 5,9 bilhões
ECONOMIA Após o impeachment, Maia havia descartado qualquer possibilidade do Congresso aprovar...
A economia do Brasil não é uma das mais fechadas do mundo A economia do Brasil não é uma das mais fechadas do mundo
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO O governo escancara a economia, mas os países cujo exemplo diz seguir...
Maiores bancos do País devem mais de R$ 124 bilhões para a União Maiores bancos do País devem mais de R$ 124 bilhões para a União
QUEM PAGA A CONTA? "São recursos do povo. Verbas que poderiam ser investidas em áreas como...

Leia mais

Correio Caros Amigos

 
powered by moosend
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
×
×
CORREIO CAROS AMIGOS
 
powered by moosend