Sem mudança no modelo de gestão, não há saída para o Vasco

Sem mudança no modelo de gestão, não há saída para o Vasco
Vasco escudo

O primeiro turno da Série B do Campeonato Brasileiro já foi encerrado e os tradicionais Botafogo, Cruzeiro Vasco, que são grandes campeões nacionais e que também possuem títulos internacionais, estão fora da zona de acesso para a primeira divisão.

Contudo, pior que isso, é a situação financeira desses times, que está comprometendo significativamente a gestão dos mesmos. Como é o caso do Cruzmaltino, que infelizmente teve a execução de uma dívida de R$ 93 milhões na semana passada. Juca Kfouri disse no podcast “Posse de Bola #153”, que com o modelo de gestão atual será impossível os clubes saírem da situação financeira em que eles se encontram.

O jornalista ainda falou sobre a importância da lei da sociedade anônima, recém-aprovada na câmara, mas vetada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Juca disse que a solução está na lei da sociedade anônima do futebol, pois ela permitirá que investidores com cabeça de empresários e dirigentes executivos, possam administrar clubes com tradição.

“Alguns clubes estão perdendo a sua tradição, como, por exemplo, o América. A tradição da Portuguesa também está desaparecendo, o que é uma pena, porque o time possui uma massa de torcedores. Portanto, um bom empresário, que seja eficiente e competente, pode perceber facilmente que investir no Vasco é um bom negócio mesmo com a dívida do clube, pois a com massa torcedora que ele possui em uns quatro ou cinco anos de boa gestão, o investidor pode recuperar os seus investimentos e passar a obter lucros”, ressaltou Kfouri.

Entretanto, vale lembrar que, para que ocorra, é necessário colocar em execução essa legislação, mas o presidente da República vetou alguns artigos que são indispensáveis do ponto de vista da tributação, o que acabou afastando os empresários de quererem assumir essas dívidas. Porém, mesmo com tudo isso, ainda há uma expectativa de que o Congresso Nacional venha a derrubar os vetos do presidente.

Se isso acontecer, poderão se abrir novos caminhos para a recuperação dos times, pois no modelo de gestão atual será muito difícil encontrar uma saída para o Corinthians, o Cruzeiro, o Botafogo e o Vasco.

A situação do Vasco

Durante sua apresentação pública transmitida pela Vasco TV, o Vasco divulgou o balanço financeiro de 2020, referente a gestão de Alexandre Campello do último ano. A dívida chegou a R$832,2 milhões e, desse total, R$314 milhões são consideradas a curto prazo.

A entrevista contou com a presença do presidente Cruzmaltino, Jorge Salgado, do vice de Finanças e Controladoria, Adriano Mendes, do 1º vice-geral, Carlos Roberto Osório, e do 2º vice-geral, Roberto Duque Estrada. Eles admitiram a grande dificuldade diante do quadro, mas garantiram que a diretoria irá superar as diversidades ao longo dos próximos três anos.

De acordo com Jorge Salgado, a reestruturação começou cedo e está em andamento. Ele tentou passar uma mensagem de otimismo, dizendo que o time conseguirá sair dessa situação. “Entramos em uma situação difícil, muito mais do que imaginávamos, mas estamos focados em resolver todos os problemas e poso dizer que estamos caminhando para o caminho da reestruturação para entregar um Vasco melhor em três anos”, concluiu Salgado.

O balanço dividiu as despesas líquidas por setores, sendo R$235 milhões trabalhistas, R$331 milhões tributárias, R$121 milhões bancárias e R$ 145 milhões cíveis. Foi apontado por Adriano Mendes um estranhamento da nova diretoria em relação ao aumento da dívida trabalhista em cerca de R$120 milhões. De acordo com ele, uma auditoria tem sido realizada para diagnosticar esse problema.

 

 

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