Outubro 26, 2021

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Fortaleza x Cuiabá: diferentes modelos de gestão, mas com resultados

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Fortaleza escudo

Fortaleza escudo

Na última segunda-feira, os times Fortaleza e Cuiabá se enfrentaram na Arena Castelão na disputa pelo Brasileirão, com modelos distintos de gestão nas duas equipes, porém, com resultados que fazem os olhos dos dois torcedores brilharem. O Leão do Pici ocupa o terceiro lugar com 32 pontos e, por hora, descarta a ideia de virar empresa. Já o Auriverde, que disputa pela primeira vez a elite, vê seu projeto de clube-empresa consolidado e servindo como referência para outras instituições.

Marcelo Paz elogiou a aprovação do clube-empresa no Senado e entende que esse modelo, atualmente, está descartado no Fortaleza. “Acredito que todos os modelos são sempre bem vindos, desde que tenham boa gestão. Hoje, o Fortaleza não tem a intenção de virar S/A. Temos uma gestão com dirigentes remunerados, planejamento estratégico periódico e profissionais contratados para todos os departamentos. É um clube associativo com modelo empresarial”, explicou.

Segundo a 12ª edição da Análise Econômico-Financeira dos clubes brasileiros de futebol, criada pelo Banco Itaú, o Fortaleza foi qualificado como um clube de boa gestão. No cenário nacional, sete clubes representaram 62% do total de receitas, e dentro do recorte de 21 times, o clube surgiu em 17º colocado.

“Tem capacidade de entender suas limitações financeiras, o que ajuda na gestão eficiente do caixa, assim, enfrentou a pandemia de forma segura, sem dívidas relevantes, operando dentro do que as receitas permitem. Fechou 2020 com condição acima da média dos clubes brasileiros”, apontou o relatório.

Mesmo perdendo milhões em receitas de bilheteria e sócio-torcedor, durante a pandemia, o Fortaleza conseguiu lidar com o equilíbrio. Em 2020, teve um déficit na casa de 30 milhões, saindo de R$ 120 milhões de receita bruta para R$ 86 milhões. Mesmo com a redução de custos no departamento de futebol, todo o quadro de funcionários foi mantido.

Há pouco mais de dois anos, o Fortaleza aprovou por unanimidade a remuneração de seus dirigentes, após isso, foram qualificados todos os departamentos e uma ampla reforma do centro de treinamento, tudo isso refletindo em vitórias também dentro de campo.

“Cada clube sabe o que é melhor para ele, e com certeza o modelo de S/A pode ser um salto considerável para algumas instituições, pois pode atrair o investidor e usar esse dinheiro de imediato. Mas tudo vai depender de uma boa gestão”, Paz acrescentou.

O modelo de gestão clube-empresa Europeu do Cuiabá

Já o Cuiabá chegou pela primeira vez à Série A em 2021 e vem fazendo uma campanha surpreendente, chegando 20 pontos na classificação e tendo batido, nas duas últimas rodadas, Athletico-PR e Palmeiras.

O atual modelo de gestão do clube surgiu por meio da família Dresch, proprietária da Drebor, empresa fabricante de materiais e tecnologias para recapagem de pneus, fundada em 1989. Em 2003, a empresa passou a ser patrocinadora da equipe, dois anos depois do time ser fundado por Luís Carlos Tóffoli, o Gaúcho, ex-atacante de Flamengo, Palmeiras e Grêmio que faleceu no ano de 2016. Em 2009, a família Dresch comprou o Cuiabá e a responsabilidade das áreas administrativas e do futebol está nas mãos de Cristiano e de seu irmão, Alessandro Dresch, presidente do clube.

“A transformação dos clubes em empresa é um processo sem volta e no qual estamos há décadas atrasados quando olhamos para o que ocorre na Europa e Estados Unidos. O modelo atual, de associação, é comprovadamente falido e para isso basta ver a situação de vários grandes clubes do futebol brasileiro. O Cuiabá é constituído como sociedade empresária há vários anos e, por isso, pode-se dizer que é um dos precursores deste movimento que agora tende a ganhar força”, comentou Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo.

No Brasil, apenas Cuiabá e Red Bull Bragantino adotam o modelo de clube-empresa. Já na Europa, aproximadamente 90% dos times das primeiras divisões das cinco principais ligas já possuem esse sistema.

“Ambos são fundamentais para o desenvolvimento do futebol profissional. Como em qualquer empresa, o patrimônio investido pelos sócios responde pelas falhas da gestão. Esse é o maior incentivo para eficiência. O clube pode pensar em abrir capital e atrair investimentos com segurança jurídica, enquanto clubes associativos têm muita dificuldade para planejamento de médio e longo prazo pela instabilidade de eleições periódicas em que compromissos da gestão anterior muitas vezes são descumpridos sem nenhuma grande consequência, além do aumento da fila de credores”, finalizou o advogado e especialista em gestão esportiva pela FGV, Pedro Trengrouse,.

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