Outubro 26, 2021

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Inter triplica dívida na última década devido a má gestão e por dependência da venda de atletas

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Para o economista Cesar Grafietti, que é consultor de Gestão e Finanças do Esporte, o Colorado está numa situação desconfortável a aproximadamente cinco temporadas. Apesar da diversificação de receitas e ter uma quantidade alta de sócios, o time depende muito da venda de atletas. Sendo assim, basta um período de dificuldade no mercado para pausar esse crescimento.

Na opinião do jornalista Capelo, que é especialista em finanças dos clubes, nos últimos anos o clube gastou bem mais do que arrecadou e, para piorar tudo isso, segundo o Ministério Público, a má gestão foi somada à corrupção.

Os ex-dirigentes do Inter (2015/2016), Vitorio Piffero e Pedro Affatato, tornaram-se réus após serem denunciados pelo MP por supostos crimes de desvios de recursos, lavagem de dinheiro, obtenção de vantagens pessoais, organização criminosa, falsidade ideológica e estelionato.

Procurado pela imprensa, Piffero respondeu, em nota: “Quanto ao processo do Ministério Público, vou demonstrar na Justiça que sou totalmente inocente. Acusações injustas, fruto de indução ao erro por parte da comissão de sindicância. Com relação aos balancetes, enquanto os dirigentes de plantão continuarem a dirigir o clube com olho no retrovisor, não ganharemos nada. Com certeza fiz o melhor que consegui”.

Sobre a administração de Marcelo Medeiros (2017-2020), não há nenhuma citação sobre irregularidades, mas houve incompetência na gerência do clube, na opinião de Capelo. “Medeiros assumiu o Inter no pior momento da história, na Série B. O que deveria ter feito? Reduzido a despesa, organizado a casa e disputado o campeonato. Mas fez o contrário: aumentou os gastos e não conseguiu resultados esportivos. Nos anos seguintes, cresceu ainda mais e até chegou perto dos títulos, mas a que preço?”, observa Capelo.

Questionado pela imprensa, o ex-presidente apresentou sua versão e explicou o déficit de R$ 91 milhões: “Tínhamos a missão de voltar à Série A em 2017, ficar na Segunda Divisão, sim, traria danos irreparáveis. Nos anos seguintes, sempre obtivemos vagas para a Libertadores, ficando em terceiro lugar no Brasileirão de 2018, vice da Copa do Brasil de 2019 e também do Brasileirão de 2020. É bem evidente que houve um crescimento esportivo. Mesmo assim, conseguimos enxugar as despesas. Tivemos um orçamento para 2020, aprovado pelo conselho deliberativo, de nos aproximarmos do déficit zero. Mas veio a pandemia, que nos tirou R$ 20 milhões só em bilheteria. Além disso, com o adiamento do campeonato, as premiações e as variáveis da TV, quantias próximas a R$ 60 milhões, só foram pagas em 2021. E o ano atípico também contou com uma janela de transferências fora de época, com investimentos menores. Entendo que vínhamos no caminho certo, tanto que nosso diretor financeiro foi promovido a CEO na atual gestão”.

A reforma do Beira-Rio teve impacto?

O aumento da dívida do Inter não tem absolutamente nada a ver com a reforma do Beira-Rio. Especialistas consideram a obra como uma boa negociação. Os problemas são unicamente de gestão, assim como muitos do futebol brasileiro.

O Inter está em uma faixa intermediária de preocupação, comparado com outros clubes do país. Numa escala que põe o Cruzeiro na situação mais desesperadora, com Vasco e Botafogo na sequência, o clube gaúcho fica em uma situação parecida com a do São Paulo. Inclusive, esportivamente.

Tinham dois modelos de gestão na venda de jogadores para novos investimentos, mas que não souberam reduzir os custos na hora que não conseguiram negociar atletas. Seguindo a comparação, Corinthians e Santos estão em situação pior, Fluminense um pouco melhor, o Atlético-MG é uma incógnita e outros como Flamengo, Palmeiras e Grêmio, bem acima.

Aliás, vem do Grêmio a prova de que manter as contas em dia ajuda também esportivamente. Tiveram críticas aos investimentos do clube no futebol e, o mesmo deveria estar em situação esportiva muito melhor com base em sua condição econômica. Não deveria figurar hoje na zona de rebaixamento, mas é justamente por ter conseguido fôlego financeiro que o maior rival Colorado consegue investir em contratações de jogadores, como Borja, autor de três gols nas últimas quatro partidas do Brasileirão, e Campaz, promessa do futebol colombiano.

Já os investimentos do Inter foram pontuais. Somente as contratações de Paulo Victor (ao Botafogo), Palacios (ao Unión Española-CHI) e de Bruno Méndez (emprestado do Corinthians), exigiram compensação financeira aos clubes foram. As demais, Taison e Mercado, se deram após os profissionais ficarem livres no mercado. O clube buscará esses perfis de reforços. “Ter recurso financeiro é importante no futebol, mas é possível também formar jogadores ou usar a criatividade na negociação. A história do Inter é cheia de exemplos assim, com atletas que talvez não tenham causado grande repercussão na hora do anúncio, mas depois deram resultado em campo”, aponta o CEO do clube, Giovane Zanardo.

Segundo Capelo, a experiência mostra que um clube em má situação financeira leva de cinco a seis anos para se organizar e voltar investir. A boa notícia para os colorados é que, na situação atual, seus cálculos preveem a possibilidade de conseguir isso na metade do tempo. “O ideal me parece ser um discurso claro à torcida. Dizer: “Possivelmente não vamos ser campeões agora, mas estamos organizando para voltar a vencer, tenhamos paciência”. Claro, mantendo times competitivos, de meio de tabela. Porque também não dá para ser rebaixado, esse é o pior cenário”, destaca.

Zanardo concorda e finaliza: “Fizemos um 2021 de sacrifícios para tentar ter um 2022 melhor. Se conseguirmos, mesmo com dificuldades, poderemos estar em uma condição superior em 2023. É a nossa meta, respaldada pelos sócios na eleição”.

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