Prefeitura apoia setores produtivos com intermediação de mão de obra e capacitação de trabalhadores

A cidade de João Pessoa fechou o ano de 2025 consolidada como a capital do Nordeste que mais cresceu proporcionalmente na geração de postos de trabalho. Contudo, setores estratégicos da economia local enfrentam dificuldades no preenchimento de algumas vagas de trabalho, a exemplo da construção civil, serviços, comércio e tecnologia. A Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest), apoia os setores produtivos com intermediação da mão de obra e capacitação de trabalhadores.

O secretário executivo de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, João Bosco, explica que, apesar do alto volume de contratações – no acumulado janeiro a novembro de 2025, João Pessoa gerou saldo de 15.904 novos postos de trabalho – a cidade enfrenta gargalos significativos em áreas que exigem uma técnica muito específica ou que sofrem com a rotatividade dos trabalhadores, o conhecido “turnover”.

“Na construção civil, por exemplo, faltam pedreiros especializados, armadores de ferragens, carpinteiros e mestres de obras. O setor está aquecido, mas a mão de obra qualificada não acompanhou o ritmo dos novos empreendimentos. Já no setor de serviços, tomando como exemplo o segmento de gastronomia, temos uma demanda altíssima para cozinheiros, garçons e atendentes bilíngues devido ao crescimento do turismo. Muitas vezes, os candidatos não têm a preparação para o padrão de atendimento exigido”, explana João Bosco.

O dirigente ainda destaca outros setores econômicos, como de tecnologia e operações técnicas, que apresentam demandas para funções como mecânicos de manutenção, eletricistas industriais e profissionais de tecnologia da informação de nível intermediário. João Bosco também cita o setor de comércio e a atividade de logística com falta de profissionais para as funções de operadores de empilhadeira e auxiliares de logística com conhecimento em sistemas de gestão.

“O motivo é um fenômeno que chamamos de descompasso de qualificação. A economia de João Pessoa está se modernizando e crescendo mais rápido do que a formação da nossa força de trabalho. Além disso, as novas gerações buscam ocupações que fujam do esforço físico braçal, o que pressiona setores como a construção civil a se automatizarem ou a oferecerem melhores benefícios”, contextualiza o secretário executivo.

Intermediação e qualificação – A Sedest faz a ponte entre as empresas que buscam mão de obra e as pessoas que querem um trabalho, a partir da atuação do Sistema Nacional de Emprego em João Pessoa (Sine-JP). A coordenadora do serviço, Jessyka Barros, destaca que, além da intermediação, o Sine-JP atua na orientação, qualificação e encaminhamento dos trabalhadores, enquanto a Sedest desenvolve políticas públicas voltadas ao fortalecimento da empregabilidade e ao desenvolvimento econômico. “O objetivo é reduzir esses obstáculos, garantindo que o crescimento da cidade continue acontecendo de forma sustentável e com mais oportunidades para a população”, pontua.

Conforme João Bosco, o trabalho da Sedest tem a função indutora de conhecimento, por meio do programa ‘Eu Posso Aprender’, que, apenas no ano de 2025 ofertou 54 cursos e capacitou 5.431 pessoas. “A Sedest identifica a falta de profissional para a vaga e apresenta a solução, que é a qualificação específica. O desenvolvimento do programa ‘Eu Posso Aprender’ é o nosso ‘carro-chefe’ para sanar esses gargalos do setor produtivo. E nós atuamos com parceiros, pois sozinhos não iríamos acelerar esse processo”, afirma João Bosco. Ele cita a parceria com o sistema S (Sesc, Senac e Senai) e com ações de outras secretarias, como a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e a de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc).

O programa ainda conta com o apoio de instituições de ensino – Uninassau, Faculdade Três Marias, Faculdade da Paraíba (FPB), Prepara Cursos -, além do Laboratório de Inovação e Design para o Artesanato Competitivo (Labin) e Inovatec-JP.

Cursos sob demanda – A realização dos cursos do ‘Eu Posso Aprender’ é a partir das demandas dos setores produtivos. “Nós monitoramos as vagas que ‘sobram’ no Sine-JP por falta de candidatos preparados. Se percebemos que há 100 vagas para padeiro e ninguém qualificado, formatamos um curso rápido de panificação”, exemplifica João Bosco.

O diretor de Capacitação do ‘Eu Posso Aprender’, Raony Pontes, reforça que a oferta de cursos de qualificação profissional está alinhada às demandas atuais da economia local. “O curso de operador de máquinas pesadas, por exemplo, cuja última turma formou mais de 70 pessoas, atende diretamente ao aquecimento da construção civil, preparando profissionais para ocupar vagas que hoje apresentam maior dificuldade de preenchimento. Da mesma forma, o curso de bartender é consequência do crescimento expressivo do setor de bares e restaurantes na cidade, que tem impulsionado a geração de empregos e a necessidade de profissionais capacitados”, explica.

Segmentos – Os cursos realizados ao longo de 2025 foram de diversos segmentos como empreendedorismo – marketing digital, gestão empresarial, inteligência financeira; indústria – máquinas pesadas, costura industrial; artesanato – futuro do artesanato, empreendedorismo e empregabilidade para artesãos; e serviços – turismo, gastronomia (produção de pizza, hamburguer artesanal, doces para festas) e beleza (design de sobrancelhas, maquiagem).

As capacitações do ‘Eu Posso Aprender’ são híbridas. O programa utiliza uma plataforma on-line oferecida pelos parceiros e pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec) para a teoria e parcerias presenciais para a prática, focando em áreas como gestão de pequenos negócios, vendas, tecnologia e serviços.