A Prefeitura de João Pessoa, por meio da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, localizada no bairro do Altiplano, abre, neste sábado (4), a exposição ‘Passarada’, do artista e observador de aves Pedro Callado. A visitação começa às 16h, no Espaço Aquarela, primeiro andar da Torre.
Com curadoria de Luciana Oliveira, a mostra individual reúne obras que resgatam a centenária tradição da ilustração naturalista para lançar luz sobre a riqueza — e a vulnerabilidade — da avifauna do Nordeste brasileiro, fugindo totalmente do mundo digital e do imediatismo das imagens geradas por Inteligência Artificial.
Através da técnica minuciosa da aquarela naturalista, Callado transforma suas observações de campo em retratos de precisão que funcionam como um verdadeiro manifesto visual em defesa das espécies nativas. O processo criativo de Callado é híbrido e nasce do contato direto com a natureza. Equipado com câmera e binóculos, o artista percorre trilhas, matas e até praças urbanas em busca de registros.
“Muitas vezes, faço uma foto na minha prática de observação, a pose da ave está interessante e eu já visualizo que dá para pintar. Mas, quando se trata de uma ave difícil de encontrar, busco o auxílio de referências fotográficas de amigos e do meu irmão, que é biólogo”, explica o artista.
A fidelidade anatômica e cromática é a espinha dorsal de sua obra. Ao contrário do uso tradicional e fluido da aquarela — marcado por manchas e transparências —, Pedro Callado desenvolveu, por meio de uma técnica que ele mesmo define como ‘teimosia’, um traço controlado, utilizando o pincel mais seco e pouca água.
O resultado é uma representação com textura e precisão que se assemelham ao trabalho de ilustradores científicos do passado. Sua paleta de cores reflete a transição dos ecossistemas locais: enquanto as obras focadas na Caatinga trazem tons ocres, terrosos e beges, as representações da Mata Atlântica explodem em cores vivas, retratando espécies como o tiê-sangue e o gaturamo.
Mais do que uma expressão artística, o trabalho de Pedro Callado carrega um forte propósito político e educacional: o de reconectar o público à fauna local e combater a indiferença ecológica.
O artista cita o lema “conhecer para proteger” como base de sua filosofia. “Se você não sabe que na Paraíba existe um passarinho chamado saíra-pintor, que é endêmico do Nordeste e que hoje praticamente só encontramos no município de Areia, como vai se interessar em proteger o Parque Estadual da Mata do Pau-Ferro?”, questiona Callado.
Para ele, a arte sempre esteve atrelada à conservação, desde a época dos naturalistas que viajavam o mundo catalogando espécies em aquarela. A lentidão e a dedicação exigidas por cada pintura também funcionam como um posicionamento frente ao cenário tecnológico contemporâneo.
O artista aceita o rótulo de que seu trabalho é um protesto contra a pressa mundial e contra o avanço da Inteligência Artificial. “Existe pesquisa, existe um pensamento crítico de um artista por trás de uma obra que um computador não chega nem perto”, defende.
Com seu trabalho, Callado espera inspirar adultos e, principalmente, crianças a olharem mais para o próprio quintal. “Não temos que ir para a Amazônia ou para o Pantanal para ver uma ave bonita. Nós temos muitas no Brasil inteiro. Às vezes eu vou a uma praça no centro da cidade e vejo 30 espécies de aves. É só olhar”, conclui.
Serviço:
Abertura da Exposição ‘Passarada’ – de Pedro Callado
Curadoria: Luciana Oliveira
Data e hora: Sábado, 4 de julho, 16h
Local: Espaço Aquarela, 1° andar da Torre, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes (Av. João Cirilo da Silva, Altiplano)
Entrada: Gratuita

