A nova moradora do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, é uma fêmea de lobo-guará, que já pode ser visitada pelo público. O animal chegou ao parque no dia 25 de fevereiro, em uma parceria com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Goiânia (Goiás).
A vinda do lobo-guará fêmea foi planejada entre as equipes técnicas das duas instituições, seguindo protocolos de transporte e adaptação para garantir a segurança e a saúde do animal durante todo o processo. Ao chegar à Bica, o animal passou por um período de adaptação ao novo recinto, precisando, para isso, passar um tempo em quarentena. O espaço que ela ocupa foi preparado para atender às necessidades comportamentais da espécie, com ambientação adequada, área para deslocamento e enriquecimento ambiental.
De acordo com a diretora da Bica, Milenna Simões, a presença do animal no Parque reforça o papel da instituição na educação ambiental e na conservação da fauna brasileira. “A chegada da fêmea de lobo-guará reforça o compromisso da Bica com o acolhimento de animais que não podem retornar à natureza. Aqui ela terá cuidados técnicos e acompanhamento veterinário. Sua presença também fortalece nosso papel na educação ambiental e na conscientização sobre a conservação da fauna”, afirmou.
Segundo informações dos técnicos do Cetas de Goiânia, o lobo-guará, apelidada de Mila, chegou ao Centro com traumatismo cranioencefálico e pneumotórax. Na avaliação radiográfica, foi identificado um projétil alojado no pulmão.
Jéssica Rocha, veterinária da ONG Floresta Cheia, que funciona dentro do Cetas de Goiânia, explicou que o animal foi acolhido há aproximadamente 6 meses, bastante debilitado. Ele foi estabilizado, tratado e depois enviado para cirurgia no zoológico de Brasília. “Hoje ela está super bem, brava. É um bicho de vida livre, né! Ela tem entre 7 e 9 anos e o lobo de vida livre não chega a 12 anos. Então é um animal que demanda cuidados e ela vai ficar bem aqui”, relatou a médica veterinária.
Jessica Rocha comenta que o início da parceria do Cetas de Goiânia com a Bica ocorreu em agosto do ano passado. “A gente tinha alguns animais que estavam de difícil destinação, que eram exóticos. Aqui eles têm um local melhor para ficar, porque o Cetas é um centro de triagens, não é um local para o animal morar, é um local para o animal passar. Então a gente trata, reabilita, solta ou destina. Com a parceria com a Bica, a gente soube que eles ficariam em boas mãos, em um local muito bonito. Gostei de conhecer o espaço e eu sei que nossos bichos estão super bem aqui. Só temos o que agradecer”, destacou.
O chefe de Divisão do Zoológico da Bica, Thiago Nery, explicou como foi a decisão de trazer o animal para a Bica. “Como a gente tinha no parque um recinto antigo onde ficavam os leões, as suçuaranas e a onça, que ganharam espaços novos, esse recinto ficou ocioso. Aí a gente transformou os três recintos em um só. A ideia é que a Mila possa ter uma área com vegetação um pouco mais fechada, uma área mais aberta, um descampado, também típico do Cerrado, para ela se adaptar a esse ambiente. É um animal de hábito solitário, que por ser idoso precisa dos cuidados diários da equipe técnica do Parque, com ajuste de dieta, com relação aos tratamentos e também à inspeção de comportamento. É um animal de importância ambiental muito grande e que não tem no nosso Estado”, afirmou.
Espécie – O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul e está classificado como quase ameaçado de extinção, principalmente em razão da perda de habitat e de atropelamentos em rodovias. Além do acolhimento promovido ao animal, a expectativa é que o público possa conhecer o novo integrante do parque, ampliando o aprendizado sobre a importância da preservação do lobo-guará e dos biomas nacionais.
Serviço – O Parque Zoobotânico Arruda Câmara está localizado na Avenida Gouveia Nóbrega, s/n, bairro do Roger. O espaço funciona das 9h às 16h. A taxa ambiental de entrada custa R$ 3, mas crianças com até 7 anos, pessoas com deficiência e idosos acima de 65 anos não pagam.



