
O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto, foi lembrado numa roda de conversa com a participação de acolhidos da Unidade de Reinserção Social (URS) Realengo e usuários do Centro Pop José Saramago, localizado em Bonsucesso. O evento, organizado pelo projeto Super-Ação, da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) do Rio, na Biblioteca Parque, no Centro, teve leitura de poemas, palestra, debate e reflexões sobre os direitos de pessoas em vulnerabilidade social.
Participaram do encontro homens e mulheres que tiveram suas vidas transformadas a partir do acolhimento institucional e do contato com a cultura. Erick Santos Meireles, que viveu nas ruas durante anos e é dependente químico em remissão, contou como conseguiu reconstruir seu caminho com a ajuda do projeto da Revista da Calçada, a primeira no país com poemas escritos por pessoas em situação de rua. Produzida pela SMAS e publicada pela Imprensa Oficial da Cidade, a obra reúne textos criados em oficinas de poesia promovidas pelo escritor Léo Motta, que também já esteve em situação de rua e é autor da trilogia “Há vida depois das marquises”.
– Consegui me reerguer, me juntei de novo com a minha família e hoje estou trabalhando, tenho emprego. Esse projeto da Revista da Calçada me ajudou muito. Foi uma revolução na minha vida, para o lado do bem. Só tenho a agradecer – descreveu Erick, um dos alcançados pela iniciativa do Super-Ação.
A subsecretária de Proteção Social Especial (SUBPSE) da SMAS, Jéssica Oliveira de Almeida, destacou que a luta é de todos os dias, mas ter uma data específica reforça o valor da causa.
– Todo dia é de resgate da cidadania e da dignidade, com políticas públicas que nos fazem acreditar e investir no ser humano. A data é importante para chamar atenção a essa luta e para celebrar iniciativas como a da Revista da Calçada, que dá voz às pessoas que mais precisam de assistência social. A gente celebra as histórias de superação, e são essas histórias que aumentam a nossa esperança e nos mostram que é possível – comentou.
Ao lado de seus alunos das oficinas de poesia, Léo Motta resumiu o desafio diário de quem luta por direitos básicos e, em tantos casos, não tem o mínimo:
– A rua é casa de muitos, não deveria ser de ninguém – disse.
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